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Perderia em uma só noite, toda manhã indesejada.

Não houveria mais os berros do dispertador.

Nem luz, nem vela seria necessário para nada.

Deixaria de ver o dia, deixaria o sol por toda eternidade.

Não veria raios, nem a cerração matutina.

Esqueceria as crianças indo à escola.

O cobrador do ônibus, não daria mais bom-dia..

 

A longa caminhada, que me leva adiante, ficaria lá.

Deixaria, o vento refrescante da manhã passar.

Largaria, minha mochila, deixaria meu trabalho.

Não haveria mais trânsito para atrapalhar.

Nem lotação ficaria tão cheia, nem gente a reclamar.

 

Apenas seria lua, estrela e o brilhante noturno.

Largaria margaridas e girassóis pelo luar.

O motorista que não pára devagar pra eu entrar,

Não precisaria pisar no freio e nunca mais parar.

 

Tudo seria calmo, sem raiva ou desafio.

Nada seria conflitivo, resoluto ou disolvido.

E a paz não estaria tão longe.

 

E meu amor estaria próximo de minh’alma.

Perto de mim... e nada mudaria até o amanhecer.


» Escrito por Vanfer às 13h27
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Escurencendo a noite e o dia.

Vi Chuva em teus olhos.

Ventou a euforia em ventania.

E do vento fez-se em calmaria.

 

Um dia fora em sol,

Ternura e luz encandescente.

No céu, que se atira em fogo

Azul ao teus trovões rajantes,

Tem meu amor para sempre.

 

Noites sombrias, teu olhar clareou

Fez-se de lua, um sorriso.

Cor de lábaro ascendente,

Vibram eternas, estrelas cadentes.

Ao nossos corações carentes.


» Escrito por Vanfer às 13h17
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A humanidade adora ver o pau comer!

 

Sabe qual é o mal da humanidade? O sadomasoquismo! Aliás é um tiro na própria testa, ou melhor, a sociedade é masoquista!

 

Quando fui assistir, o repugnante filme a Paixão de Cristo, sucesso de bilheteria, esquartejando o coitado... como um, Faces da Morte, e o carinha lá do fundo da sala, no final, batendo palmas para a direção, eu me impressionei. Eu estava com asco, me sentindo mal de ter entrado naquela platéia, só não saí no meio do filme, por que zelo pelo meu dinheiro...

 

E agora começou outro filme, o sensacionalismo em cima dos frascos e comprimidos, digo, dos fracos e oprimidos... Iraquianos levando mijada de americano... nossa! É terrível mesmo, mas será que levar mijada na cara é pior que ter isso divulgado pelos quatro cantos do mundo? Ter sua vida marcada pela tortura, sua cara estampada com feridas e pontapés... simbolizando a escória das atitudes do exército americano. Essas imagens expostas é mesmo para matar a curiosidade do espectador, no fundo, de cada ser, sentimental ou não, existe o “sado”, a vontade de ver a coisa ruim acontecer.

 

Por mais que agente tenha descência ou sinta ira com este comportamento vil, nós mesmos saciamos nossa própria maldade. Você vai afirmar: — Mas o vilão não sou eu! Sim e daí, se a foto foi para o jornal e você viu é por que interesse você tinha. Assim como todas as maldades, todas as barbaridades, e todas as injustiças, a humanidade se prioriza em discutir o comportamento humano, que é totalmente ilógico nessas condições subhumanas, mas antes, os olhos precisam saber...

“O que os olhos não vêem o coração não sente”.


» Escrito por Vanfer às 12h40
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Conto: Pedaços de Uma Vida

Parte  I - A infância

 

 

São Paulo, muito frio, já era de se esperar, aquela chuva repentina e repetida, a terra da garoa nunca deixa a toa um ar se gelar sem a decorrência de um acontecimento histórico. E por muito tempo tive esta lembrança. Quando era criança, mamãe, que na verdade, nunca fora chamada assim, era tratada pelos codinomes do, propriamente dito “Eliza”, oras Eli outrora Li, papai, Jorge, também, era tratado por Jô, isso foi um vício em família, ambos irmãos, Sarah e eu, Lhan... Dizem que nós adquirimos esse hábito na rua, pelas crianças e toda a juventude que rondava e que se convidava a visitar-nos.

 

Este hábito à minha perspectiva, é intencionado a uma forma de carinho fraternal aos meus pais, que, mesmo eles ainda não o compreendem.

 

Na rua, o sereno obstante que me repugnava todas as manhãs, neste dia, estava me sendo companheiro, por muito tempo não me sentia assim, olhava ao redor e nada me deixava chateado, embora muitas vezes, tive desconforto às conversas e discussões dos dois o que ajudou na separação. Desquite nunca foi uma coisa que uma criança pudesse compreender, só com o tempo é que percebemos que é impossível a união de dois opostos divergentes. Mas nesse tempo, Eli e Jô me deixavam seguros e confiante, quando se uniam, a força familiar afastava o peso do clima e transformava tudo em um verdadeiro convite ao cinema.

 

Sugerida a idéia, ambos me colocaram no carro e me levaram para ver um filme que diziam ser fantástico, era um desenho animado, que hoje ainda deixa no meu coração uma magia do passado, uma criança que se envolvia com cenas e que teve toda a alegria projetada na infância e que agora é reescrita no presente.

 

Estou numa dessas noites, vivenciando o passado, olhando pela janela e relembrando o que tinha para trás, grande parte do que vivi neste tempo, foi apagada, como uma memória velha, descartável. Eu egoísta fugi do passado, por não querer sofrer a dor que herdara de meus pais.


» Escrito por Vanfer às 16h41
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Parte II - A madrasta

 

Com o tempo, fui crescendo, o clima já havia se transformado tanto, que nem lembrava mais o que era uma garoa contínua em São Paulo, o temporal chegava em todas as previsões, não havia mais aquele clima previsível, tudo que o homem conseguiu foi destruir a facilidade que tínhamos de entender o tempo. E Jô se separou de Li.

Mamãe sofre de uma doença terrível, PMD, psicose maníaca depressiva, uma doença que a colocava em situações constrangedoras, e que em alguns momentos, sua eloqüência a pôs como um monstro, em outros como uma vítima de seus próprios erros, uma doença que causou temor e muitas vezes desunião familiar, o que com o tempo, só se somou à própria personalidade egoísta de seu prazer à loucura.

Muitas vezes, Eli se ausentou em seu papel materno, deixando um vazio, que logo fora preenchido por outra mulher, era Teca, a nova namorada de Jô. Eu e minha irmã, Sarah logo fomos apresentados e com o critério da escolha de Jô, posto sob uma severa criação.

O tempo prostrado à nossa vida foi entorpecendo em fúria e revolta, ambos os corações, se sentiam rejeitados e se transformando no estereotipo da inimizade que havia se prospectado entre Eli e Teca.

 

A guerrilha estava armada até os dentes, Eli e Teca não se cruzavam, nem por olhares. Teca se sentia uma cobra, envergonhada pela traição de uma amizade de anos. Eli, que era unha e carne com Teca, nunca conseguira satisfazer-se de descer-lhe o cacete.

Lembro-me claramente, as cenas das caretas, a mão na cabeça, dizendo-se com enxaqueca.

Meu pensamento via minha mãe como guerreira, e Teca como vilã.

Santos que louvem a separação que veio por bem Deus a destes dois, Teca e Jô se separaram. Mas deixaram algo de bom para nós, uma irmã, a caçulinha, Lívia. Fazendo das tripas, coração.

 

Antes mesmo que tudo isso viesse acontecer, o casamento já estava em atrito, e este conflito só nos animava em saber que tudo iria terminar e a paz voltaria de alguma forma à tranqüilidade de Jô.

Ainda nesse tempo, um dos conflitos já havia sido resolvido, no caso, eu, que, por vários comportamentos revoltantes, de até cuspir no chão da casa da sogra e urinar na parede do quarto da empregada, cometia, inconseqüentemente, todas essas proezas, dando motivos de sobra para ser afastado do ambiente insólito, fui colocar-me para viver com vovô Pepito, vovó Nani e meu tio Pablo.


» Escrito por Vanfer às 16h40
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Parte III - A mudança

 

Nascia, aos 8 anos de idade, um garoto que se tornaria uma nova pessoa, com novas idéias e novos rumos, o moleque agressivo morreu com aquela casa, não tinha mais necessidade de rebelar-se.

 

Lembro-me como se fosse hoje, o calendário amarelo de gordura na velha parede, marcava um feriado de Corpus Christi, foi quando cheguei na nova casa, vovô como sempre, convidou-me para ver seus inventos e engenhocas, um velho sábio e inteligente, quando jovem, um trabalhador honrado, mas que no final de sua vida, deixou muita tristeza e dignidade aos dois filhos, Jorge e Pablo e minha avó, que ainda hoje, veste suas saias beges e azuis de ceda, com seus dois óculos pendurados por correntinhas acrílicas e uma face de paz e amor.

 

Esta é minha grande mãe, minha mestra, a mulher que fez o homem que sou hoje.

Sempre, inevitavelmente, seguindo a tradição das avós, mimando, mas também mostrando o valor humano e o carinho que todo bom filho merece.

Convivemos muito tempo junto e até hoje ainda a visito nos finais de semana, para abater a saudade que aperta o coração.

 

Pablo, um eterno carente, frustrado pelo medo de viver e por sua exclusão da felicidade, amargurado em seus vícios, sempre me foi como um nobre e leal amigo, digno de carinho e fé. Por muitas vezes, quis mostrar-me um caráter de pureza, por outras vezes um caráter de maldade, num equilíbrio de realidade, apenas mostrou-me a vaidade e a terna desventura pelas pessoas que não o corresponderam. Sempre sincero e romântico, porém orgulhoso e imaturo, um prato cheio para as filosofias de Freud.

 

E nesta casa cresci, e com as dificuldades da vida, eu, Vovó e tio Pablo, tivemos que mudar para outro lugar. Fomos morar em um apartamento, onde cresci mais um pouco, chegando a maturidade que hoje sou. Aos 21 anos, tive total liberdade e independência, arrumei um trabalho, depois outro e mais outro, e assim fui levando a vida, curtindo as noitadas, as famosas baladas.

 

Foi numa dessas noitadas que conheci uma mulher que iria mudar toda minha vida. Um amor nascia.

Era Lira, uma mulher incrível, inacreditavelmente especial, a mulher que em sonho, era construída, e vista como uma realização de mulher para o meu sonho real. Que vivi, e em uma semana descobri o lance de sua perfeição.


» Escrito por Vanfer às 16h40
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Parte IV - O Casamento

 

Dia 15 de novembro... Uma data que qualquer homem esqueceria... menos eu. A data do meu casamento.

Tudo que havia acontecido até esse dia era apenas um complemento, apartir deste dia, tudo na minha vida começou a mudar, passei a ser um homem responsável, a vida de vagabundagem que tinha antes morreu com o velho Lhan.

Desde então, minha vida veio caminhando com objetivo, sendo fortificada com amor e dignidade.

Consegui uma casa, uma mulher que me ama, tudo isso me fez sentir, pela primeira vez, que estava dentro de meu próprio reino, 26 anos, tornei-me vencedor de meu próprio destino, e todo o passado ficou pra trás. Somente restaram as lições, e os resquícios de uma vida.


» Escrito por Vanfer às 16h40
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Uma banana pra ele!!!
» Escrito por Vanfer às 11h34
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Mas que ano! Meu Deus, mas que ano é esse, que loucura! Entramos no milênio e agora isso já nem tá fazendo muita diferença. Parece que minha gravata anda apertando mais o meu pescoço, e eu nem senti meu suor pingar... não dá tempo para sentir nada! É uma época de transformações, no ritual seguem as mudanças políticas, o que era controlado, hoje fugiu do controle e foi parar na mão do mero acaso. Gente, a fome existe há anos, de repente, nesse ano, começou a dar canseira, gerou discurso, gerou propostas de melhoria, gerou um desprogresso contínuo, as verbas foram todas centralizadas na propaganda de uma utopia, que não é em 5, 8 ou 10 anos que se resolve...“Fome Zero!”... 0 é um número muito redondo... Mais redondo que a barriga do excelentíssimo viajante, antes, alguns eram famintos, hoje somos todos nós. Meu bolso está cada vez mais vazio, não só o meu, a população está sofrendo com taxas, impostos altíssimos, a gasolina caiu... Puts! Eu nem de carro ando? E o desemprego, tem caido também??? Meus amigos, a educação está perdendo importância? Para que matricular um povo que não aprendeu a ler nem a estudar? Que mundo é esse que estamos vivendo, onde a escola passa a mão na cabeça do ignorante e dá um pé na bunda do desgraçado — “pronto filho, agora você aprendeu tudo, tchau”? A onda agora é ser ignorante, “nóis é ignorante, isso é legal!” Cadê a disciplina? Cadê a cultura??? Esse virou pagodeiro, vai dormir ouvindo axé, funck, e gostar do FOME ZERO.

O Brasil está fazendo questão de ser desocupado... despreocupado, desencanado, cego, burro e humilhado, até pela Índia.

Cadê a importância do Brasil? Cadê o povo? Tá lá... assistindo futebol, vendo Linha Direta ou assistindo Cidade Alerta... KCT, isso não é vida!

Vamos acordar galera!


» Escrito por Vanfer às 10h16
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Bushismo

 

Ao senhor da guerra

Que não gosta de crianças

A música que condiz a sua paz...

 

Veja os tanques e os aviões,

Artilharia nos corações.

Marchando em frente, a infantaria,

Cantando o hino nos caminhões.

 

Canhões de guerra de muito fogo

Não é preciso sentir desgosto.

Não é preciso poupar despesas,

Não temo a morte, pois vêm riquezas.

Pois sobra o óleo em nossas mãos.

 

Ao brado e orgulho do poder.

Ao mundo a glória me faz vencer.

Eu sou teu dono, eu sou a guerra.

Não quero ver terror na minha terra.

 

Eu quero controlar a vida.

Até ser Deus, quem sabe um dia.

Que eu seja a tua proteção.

Me sinto Deus, te dou comida.

 

Crianças morrem, fazer o quê?

Eu tenho a minha cidadania.

Eu tenho meu poder político!

 

E viva o poder da hipocrisia!


» Escrito por Vanfer às 21h44
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